Comunicação Autêntica

porAna Raquel Velosoem Comunicação, Desenvolvimento pessoal, Em Destaque Deixe um comentário

 

Digo recorrentemente que as palavras são a forma mais sincera e bonita de um ser humano chegar até outro. Mas o que acontece quando estas palavras não são autênticas e carregam uma versão de nós próprios que não é a melhor? Que mensagem transmitimos quando assim é?

Toda a comunicação que não tem por base a autenticidade torna-se um processo corrosivo capaz de destruir todas as relações da nossa vida, inclusive a nossa relação mais íntima e preciosa – aquela que temos connosco!

Quando não somos capazes de comunicar de forma autêntica acabamos por criar um fosso entre nós e os outros mas, pior ainda, acabamos por criar um fosso entre nós e o nosso Eu mais genuíno.

Quando comunicamos e mostramos ser aquilo que não somos, não nos conectamos com a nossa verdadeira essência. Assim, não nos conseguimos conhecer com consciência e, acima de tudo, nunca conseguimos explorar todo o nosso potencial porque simplesmente não o reconhecemos. Vemos apenas potenciais ilusórios que nunca se materializarão pois fazem parte de uma ilusão que criamos para nós e para os outros

Uma linguagem de mentira apenas cria relações de fantasia!

Só uma linguagem autêntica permite que nos comuniquemos ao mundo sem medos, preconceitos ou qualquer tipo de limitação. A comunicação autêntica é a expressão máxima daquilo que somos e representa a aceitação que sentimos por nós e pelos outros. A Comunicação Autêntica é em última instância o maior sinal de respeito e amor-próprio.

É importante então lembrar que a autenticidade começa bem antes de nos comunicarmos ao mundo. A autenticidade começa na nossa voz interior, no nosso diálogo interno, naquilo que nos dizemos a nós próprios. São as palavras que nos dizemos na privacidade da nossa mente que condicionam a mensagem que decidimos transmitir sobre nós mesmos, que determinam a forma como comunicamos com os outros e como nos comunicamos ao mundo.

A nossa voz interior é o reflexo daquilo que sentimos e pensamos de nós próprios, a qualidade da nossa voz interior é proporcional ao nosso amor-próprio e determina a qualidade das nossas vidas. Quanto mais nos amarmos melhores são as palavras que nos dizemos e a vida que temos.

Mas então por que razão temos tanta dificuldade em comunicar com autenticidade?

Podem parecer inúmeros os motivos que nos impedem mas, em última instância, resumem-se apenas a um: MEDO. No entanto, este medo pode ter várias vestimentas: medo de não ser aceite, medo que não gostem de mim, medo de ser diferente, medo de não merecer, medo de ficar só, medo de sofrer, medo de não ser suficientemente bom, medo de não ser amado…

São estes medos que ao longo da vida nos fazem assumir papéis onde fingimos ser o que não somos para podermos alcançar aquilo que com medo acreditamos que não conseguimos. Lamentavelmente estes papéis não nos dão coragem, apenas reforçam o nosso medo tornando-o bem maior.

O QUE FAZER ENTÃO?

Melhorar a qualidade das nossas relações começando primeiro por melhorar a nossa relação connosco.

Acredito que a qualidade das nossas vidas depende muito da qualidade das relações que mantemos, inclusive daquela que mantemos connosco. A solução parece-me ser sempre: se algo não está bem ou não nos agrada, melhora-se!

Se a nossa vida não está bem comecemos por transformarmo-nos e depois ver o reflexo disso na vida, não o contrário. Não é possível termos relações saudáveis com os outros sem que tenhamos uma relação saudável connosco.

Se por ventura acreditarmos que os outros têm uma má relação com eles próprios e isso é que está a determinar a relação que temos com eles, desengane-se. Nós atraímos aquilo que somos, doutra forma saberíamos fazer melhores opções. Cada pessoa que connosco se cruza nos ensina algo, cabe-nos a nós perceber o quê e aprender a lição.

COMO FAZER?

Digo sempre que só conheço um método: ter consciência da forma como fazemos as coisas e do que podemos transformar, adquirir novos conhecimentos e melhorar o nosso comportamento.

Não podemos querer que a nossa vida mude, mas nada fazer para que isso aconteça. Aprender a comunicar de forma autêntica liberta-nos, pois conecta-nos com o nosso verdadeiro EU. Só assim podemos criar relações autênticas. Ninguém pode gostar de nós por algo que não somos, acreditar nisso é pura fantasia, alimentar isso é criar as condições para relações desastrosas.

Deixemos de nos contar mentiras e passemos a aceitar-nos tal como somos. A nossa versão mais genuína, mais pura é sempre a melhor!

Encaremos os nossos medos apenas como necessidades de aprendizagem, abandonemos o passado, libertemo-nos dos pesos que nos transmitiram e invistamos em nós para criarmos o futuro que desejamos.

Aprendamos a comunicar de forma autêntica para podermos Ser e Ter aquilo que desejamos e merecemos.

 

(Este artigo foi publicado na 215ª Edição da Revista SIM, em Fevereiro de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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