Entender o Medo

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

 

Será que o medo tem uma função nas nossas vidas? Haverá algum sentido nele? Terá alguma utilidade para nós?

Sinto habitualmente que a vida humana é perfeita e não acredito que possa haver em nós, humanos, funções sem qualquer utilidade. Tudo tem o seu propósito, temos apenas que nos dedicar a perceber qual!

Todas as emoções que sentimos e experienciamos têm um objetivo. Quando sentimos algo é sempre o resultado de uma experiência que temos, algo que vivemos, pensamos, acreditamos, recordamos… Há sempre uma ação que nos conduz a uma determinada emoção.

É fácil percebermos como comer uma boa refeição nos pode fazer sentir prazer, como recordar um amigo de juventude nos inunda o coração de saudade, como assistir a um filme nos pode fazer chorar ou como ouvir o som da água do mar nos pode relaxar. Quase todos experienciamos emoções muito positivas nestas situações e não nos é difícil perceber a relação de causa-efeito entre uma situação e a emoção que dali surge.

Quando falamos de Medo a relação causa-efeito pode não ser tão fácil de entender. O medo parece ser uma emoção mais ensombrada, com vontade própria, que aparece sem avisar e causa danos não expectáveis.

Sentimos um medo que não controlamos e ficamos ainda com mais medo das consequências desse medo. Depois acabamos por nos convencer de que aquele medo somos nós e proferimos frases como: não sou pessoa de mudanças, sou muito ansiosa, sou inseguro, sou uma pessoa tímida, sou …, sou …, sou …

O problema aqui é que confundimos o medo com aquilo que somos e passamos a acreditar que esse medo faz parte da nossa identidade! Para evitar que isso aconteça devemos apenas parar para perguntar: O que é que esse medo me estar a querer dizer?

Como qualquer outra emoção, o medo que sentimos tem informação preciosa para nós. Sentimos medo por algum motivo, importa saber qual para nos libertarmos dele.

A questão é que encontrar a situação/emoção que está escondida por trás do medo que sentimos nem sempre é fácil. Para que o medo se instale e nos inunde em situações da vida quotidiana, em coisas aparentemente normais, terá que haver muitas emoções não sentidas e desconsideradas ao longo dos tempos.

Quando não enfrentamos uma situação dolorosa, um desejo não satisfeito, um conflito de qualquer ordem, e tentamos encontrar uma explicação lógica e coerente para não o fazermos… normalmente isso acaba em medo ou tem origem num medo mais antigo.

Se quando eu não enfrento a dor de ter sido rejeitada por alguém que amei e não tento perceber o que isso me está a querer ensinar, provavelmente guardarei um medo de rejeição que se traduzirá de muitas formas.

Mas esse MEDO nem sempre é mostrado como medo, muitas vezes por medo de ser reconhecido, reveste-se de outras capas: excesso de confiança, clausura emocional, excentricidade, agressividade, preconceitos, arrogância, julgamentos, críticas… tudo isto poderá ser medo…

O medo esconde sempre algo mais profundo…, emoções não vividas ou mal resolvidas, que depois lhe dão origem.

Então, e o que fazer? A resposta a esta pergunta não pode ser apenas uma, somos muito diferentes e os caminhos poderão não ser os mesmos para todos nós.  No entanto há quatro ações que nos podem ajudar a libertar os medos que trazemos dentro de nós:

– Aprender a sentir de forma autêntica, libertemos-mos de farsas e papéis.

– Aprender a falar e comunicar de forma saudável, só isso cria conexão e boas relações.

– Aprender a gostar de nós, a aceitarmo-nos como somos e a não comparar.

– Aceitar os outros tal como são porque isso é o melhor que estão a conseguir ser no momento.

 

Na minha vida, o medo tem sido um dos meus maiores aliados. Quando o entendo, entendo-me! O medo ajuda-me a sentir o meu potencial e revela-me aquilo que ainda preciso de trabalhar em mim.

Por isso, quando o sinto, acolho-o e dou graças por ainda ter medos. É sinal que estou no bom caminho, a progredir e a melhorar com o passar do tempo. Os meus medos mostram-me aquilo que precisa de ser feito, resolvido e enfrentado para poder ser cada vez mais eu. Sou grata a todos os meus medos pois permitem-me fazer o caminho, com coragem e determinação, até à minha melhor versão!

 

(Este artigo foi publicado na 216ª Edição da Revista SIM, em Março de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoEntender o Medo
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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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