Desenvolver a Inteligência Emocional

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

 

Por mais que nos dias de hoje a temática das EMOÇÕES esteja em voga, e seja um tema muito presente nas nossas vidas, penso que existe ainda o mito de que pessoas muito emocionais são frágeis e inseguras. Esta fragilidade é muitas vezes associada a tristeza, ausência de vontade, falta de vontade própria e controle, insegurança, submissão ou subserviência. Creio contudo que há alguma confusão nesta temática das emoções…

As emoções não são o contrário de razão, nem são propriedade e exclusivo domínio do coração.

As emoções são uma reação química que ocorre no nosso cérebro e despoleta sensações no nosso corpo. Quanto melhor nos conhecermos e percebermos aquilo que sentimos, melhor nos entenderemos e melhores decisões tomaremos. Ser emocionalmente inteligente (ou ter um elevado QE) significa ser emocionalmente eficiente. Significa também que sabemos gerir as nossas emoções de forma benéfica para nós, que compreendemos o que sentimos e que empaticamente reconhecemos as emoções do outro.

Então por que razão não há muitos de nós a conseguir fazer isso? Será assim tão difícil?

A experiência diz-me que não, é uma meta bastante exequível de alcançar para quem se predispõe a fazê-lo. No entanto, embora não seja difícil, a verdade é que dá trabalho… e nem todos estamos dispostos a trabalhar pela nossa felicidade!

Se decidirmos empreender a jornada de nos tornarmos mais emocionalmente inteligentes, por onde podemos começar?

Penso que o primeiro passo é trabalhar e desenvolver a nossa consciência emocional, começando por pensar mais no que sentimos e falar menos sobre o que sentimos. Temos que aprender a refletir sobre as nossas emoções. Aquilo que pensamos que sentimos, e dizemos sentir, pode não ser o que verdadeiramente estamos a sentir. Temos que tirar os véus e as desculpas (que nos damos aos outros e a nós próprios) para que possamos crescer emocionalmente. Vivemos muitas vezes entre muros e muralhas, que erguemos à nossa volta, porque acreditamos que nos protegem das investidas dos outros para penetrar no nosso território emocional. O problema é que este isolamento nos priva de tudo, inclusive de nós próprios e das nossas emoções, deixando-nos num estado de permanente letargia emocional sem qualquer contacto com as nossas verdadeiras emoções.

Aprender a reconhecer as nossas emoções e ter consciência delas é sem dúvida o primeiro passo em direção à educação emocional. Depois então poderemos observar os outros e tentar perceber o que sentem, desenvolvendo assim e melhorando as nossas competências empáticas.

Mas por que razão será tão difícil fazê-lo?

As sucessivas agressões e lesões emocionais que sofremos provocam em nós um entorpecimento tornando-nos, com o passar do tempo, insensíveis aos sentimentos do outro. Para perceber de forma genuína o que outra pessoa sente temos que nos saber pôr no seu lugar. Entrar em contacto profundo com os sentimentos do outro não é tentar explicá-los à luz do que nós somos, nem julgá-los em função das nossas crenças e valores. É apenas sentir e respeitar.

Depois de perceber o que sentimos e de reconhecer empaticamente o que sentem os outros, levanta-se a questão – o que fazer com esse conhecimento?  Primeiro, é necessário perceber a causalidade entre as nossas emoções e as nossas ações. É importante refletir sobre o nosso comportamento, fazer mea culpa quando necessário, assumir responsabilidades e tentar perceber o que poderíamos ter feito diferente para que as consequências fossem outras. Nesta fase, temos que conseguir estabelecer uma clara relação de causa e efeito entre a emoção e a ação, entre o que sentimos e a forma como agimos, e vice-versa.

Por fim, e aqui reside a verdadeira arte, é necessário que consigamos gerir proactivamente a nossa vida emocional em função daquilo que entendamos ser o melhor para nós e também para os outros. Gerir as nossas emoções e as daqueles com que privamos no sentido de potenciar resultados, minimizar danos, evitando conflitos ou situações menos agradáveis – essa é a verdadeira arte da educação emocional.

Atingir este nível de maturidade emocional é uma forma da felicidade pois dá-nos:

  • Competências linguísticas que nos permitem exprimir de forma clara, eficiente, agradável, fluente, criativa, livre;
  • Uma honestidade emocional que nos dá paz e nos permite desenvolver um sentido de intuição emocional altamente eficaz;
  • Um estado de fé inabalável e confiança em nós próprios;
  • Um profundo auto-conhecimento e auto-controlo que nos transmitem uma sensação de poder constante.

Sem dúvida que chegar a este nível de maturidade emocional exige muito esforço, vontade, resiliência e dedicação. Mas é também uma jornada de profundo enriquecimento e aprendizagem, de imenso prazer e deleite, e quando lá chegamos dificilmente recordamos as agruras do caminho.

A pergunta mais pertinente agora é:  Quanto estou disposto a investir em mim para poder ser mais feliz?

 

(Este artigo foi publicado na 217ª Edição da Revista SIM, em Abril de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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