Fitness Emocional

porAna Raquel Velosoem Comunicação, Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

Chegado o tempo de calor, e com o avizinhar da época balnear, os cuidados com o corpo começam a intensificar-se. Vemos as pessoas com menos roupa, fotos de corpos saudáveis, bonitos e em grande forma.

Nesta época do ano, somos também bombardeados com muita publicidade apelando a métodos para conseguir a forma física perfeita. É excelente que tenhamos cuidados com o nosso corpo físico. Mais, é importante que mantenhamos hábitos saudáveis para melhorar o nosso fitness físico. No entanto, há uma pergunta que sempre me fiz com regularidade:

Que hábitos são necessários para que consigamos ter as nossas emoções em boa forma?

A resposta a esta pergunta é para mim uma procura constante. Desta procura nasceu um Manual de Fitness Emocional, com um programa de treino para melhorar a saúde das nossas emoções. Pareceu-me de extrema importância escrever sobre os cuidados que podemos ter com as nossas emoções. E, este Manual, foi a resposta que encontrei para partilhar as minhas ideias com aqueles que gostam de ler as minhas palavras.

Deixo-vos aqui um pequeno resumo dos 4 primeiros passos para começar a treinar o nosso Fitness Emocional.

 

1º Passo: PARAR

Saber quando parar, e conseguir fazê-lo, é mesmo uma das aprendizagens mais importantes da vida. É interessante, e paradoxal, que uma das ações que nada exige que façamos seja uma das que mais nos custa aprender e empreender.

Quando algo menos bom nos acontece, quando não sabemos para onde ir, quando não nos agrada o rumo da nossa vida, parar é, sem dúvida, a melhor opção. Se não o fizermos continuaremos a andar em círculos ou a percorrer os mesmos caminhos erróneos, que nos levam aos destinos de sempre, com os resultados que já conhecemos.

Só parando conseguiremos ver onde estamos e perceber para onde queremos ir. Só assim perceberemos também que opções temos e que caminhos podemos seguir. Parados podemos analisar melhor as circunstâncias, desenvolver a capacidade de discernir e escolher, convenientemente, o que é mais adequado para nós. (…)

 

2º Passo: ESCUTAR

Deixar de fazer barulho e aprender a ouvir o silêncio é dominar com mestria uma verdadeira arte da vida. As emoções podem ser ruidosas e, num ambiente de muito barulho, é difícil escutar a vida e perceber o que nos está a ser dito.

Aprender a parar e ficar em silêncio é um passo importante para que consigamos perceber onde estamos, o que queremos ou podemos fazer.

Em silêncio encontramos espaço para permitir à nossa alma falar connosco, orientar-nos, insurgir-se contra as decisões que tomamos, zangar-se e enraivecer-se pelos danos que muitas vezes lhe causamos. Permitimos-lhe ser ouvida para que possa sentir-se acarinhada, entendida e, mais importante, para que possa sentir paz.

Só em silêncio podemos dialogar com ela, fazer as pazes connosco e ouvir os conselhos que nós próprios temos para nos dar. Só assim podemos estar em comunhão com a nossa essência, ficar em verdadeira intimidade a usufruir em pleno da nossa companhia. (…)

 

3º Passo: CONTEMPLAR

Depois de parar e começar a escutar as palavras mudas ditas na intensidade do silêncio, o passo seguinte é aprender a contemplar. Contemplar é observar sem falar, sem opinar ou tecer quaisquer comentários – é essa a verdadeira arte da contemplação.

Já percebemos que tentar ver algo em movimento nunca nos dá uma visão clara e, muito menos, fidedigna da realidade. Por incrível que possa parecer, quando paramos e ficamos em silêncio alcançamos uma capacidade de visão muito maior. Assim, em silêncio, conseguimos sentir-nos e, inclusivamente, ver para dentro de nós. É incrível como o silêncio nos apura a visão e nos ajuda a contemplar melhor as nossas emoções.

Quando falamos sem pensar, tecemos um juízo de valor, fazemos julgamentos ou criticamos algo por imposição do nosso ego, estamos a acorrentar-nos ao nosso passado.

Quando julgamos e criticamos estamos a ver tudo à luz dos velhos conhecimentos que possuímos, das experiências emocionais que tivemos, do que já fomos e sentimos. Quando fazemos isto, impomos ao nosso presente aquilo que sabemos sobre o passado e tomamos decisões para o futuro com base nisso. (…)

 

4º Passo: DUVIDAR

A capacidade de duvidarmos de nós próprios é uma das que mais contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e emocional. Einstein dizia que o mais importante é nunca pararmos de questionar, e que devíamos encarar a vida sempre com a curiosidade de uma criança.

As dúvidas e as questões que nos colocamos, de modo consistente e contínuo, determinam o grau de conhecimento que alcançamos sobre nós e sobre a vida. Podemos mesmo dizer que a qualidade das nossas dúvidas determina a qualidade do nosso saber.

Saber o que não se sabe é revelador e mostra-nos a imensidão da vida que está ao nosso alcance. Saber que não se sabe, ou que poderemos estar errados, é um passo de gigante na procura do conhecimento e da verdade.

Duvidar de nós, daquilo que a nossa mente nos diz, de todas as certezas que temos, de tudo o que acreditamos saber, do que achamos que vemos e ouvimos, é a uma das maiores provas de sabedoria da condição humana. (…)

 

Espero que com este 4 Passos já vos tenha motivado a começar a treinar. Se todos fizermos o nosso treino em breve o mundo estará cheio de pessoas com um Fitness Emocional perfeito!

 

(Este artigo foi publicado na 236ª Edição da Revista SIM, em Junho de 2019.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoFitness Emocional
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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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