Entrevista Ana Raquel Veloso

porAna Raquel Velosoem Comunicação, Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

Esta entrevista decorreu no Jardim do Chá, no Museu Nogueira da Silva, pouco antes da apresentação do Manual de Fitness Emocional na cidade de Braga.

 

Como surgiu a ideia de escrever este livro?

Tudo começou há 4 anos… A inspiração chegou e comecei a organizar ideias, depois o Manual começou a ter forma. Na altura não pensei em escrever um livro, queria apenas criar um instrumento de trabalho que ajudasse os meus clientes a gerir melhor as suas emoções.

Passado algum tempo resolvi voltar a pegar nele e, por mero acaso, encontrei um designer que me agradou. Começamos a trabalhar e correu muito bem, o resultado está aí.

 

Porquê um Manual de Fitness Emocional?

O meu trabalho consiste basicamente em entender pessoas e mostrar um caminho para os problemas que me dizem ter (eu digo que são apenas situações para resolver…) Seja a nível pessoal, numa relação, na família, na empresa, o que eu sinto é que a maioria das pessoas tem muito pouca perceção daquilo que é e do que a move. Acho que não se conhecem, não percebem o que sentem, nem como isso as faz agir de forma pouco saudável.

Pensei numa forma de as motivar a cuidar das suas emoções, daí a analogia com o fitness, que todos associam aos cuidados com o corpo…

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Nos seus artigos da SIM esse é talvez um dos temas mais presentes… É assim tão importante falar de emoções?

As emoções são o combustível que move os seres humanos. O que acontece é que a maioria das pessoas sabe muito pouco sobre esta temática e depois acaba por se confundir. Como eu gosto de entender a arquitetura dos seres humanos estas questões apaixonam-me.

E por isso, para mim, é importante falar e escrever sobre este tema, porque sinto que cada um de nós tem em si uma versão mais autêntica para revelar ao mundo e que, muitas vezes, vive camuflada por emoções incompreendidas. A insatisfação, o conflito, a raiva, a frustração surgem porque esse trabalho de descoberta e compreensão das emoções não está a ser feito.

 

Então, qual é o grande benefício de fazer este Fitness Emocional?

O objetivo é sempre o mesmo em tudo o que faço, trabalhar 3 Cs: Conhecimento, Consciência e Comportamento. Como trabalho sempre na primeira pessoa acabo por dizer que o Autoconhecimento nos dá Autoconsciência e Autocontrolo. Na verdade, esse é o treino que proponho: conhecermo-nos para podermos tomar decisões e agir de forma mais saudável.

O Manual tem um percurso de 13 passos que nos conduzem por um caminho de descoberta e reflexão. Não proponho dogmas nem verdades absolutas, cada um deve lê-lo e aplicá-lo da forma que melhor entender. Se algum passo não servir, simplesmente salte e avance! O caminho é de cada um. Nós somos seres únicos e não há formulas que sirvam a todos, há apenas informação que cada um pode utilizar para se conhecer e ter uma vida emocionalmente mais saudável.

 

Sei que as palavras são a sua grande paixão. Como vê a ligação entre as palavras e as nossas emoções?

As palavras geram emoções e são também o reflexo delas. Eu gosto de perceber a forma como a nossa linguagem expõe tudo aquilo que trazemos dentro de nós. As nossas palavras acabam sempre por denunciar as nossas intenções mais subliminares, muitas vezes sem que nos apercebamos disso. A mim apaixona-me estudar e entender todas estas questões, porque na verdade as emoções dão informação que nos revela algo sobre nós.

Quanto às palavras… Elas são a minha única ferramenta de trabalho… Eu acredito que a palavra tem um poder terapêutico e faço tudo para utilizar as minhas com esse propósito. Aliás, esse é o grande objetivo do meu projeto – Palavras com Saúde, ajudar a criar um mundo com mais entendimento melhorando a forma como comunicamos connosco e com os outros. Primeiro, precisamos de aprender a comunicar de forma saudável connosco, ter um diálogo interno saudável, para depois conseguirmos comunicar bem com os outros.

Para mim as emoções e a palavra andam sempre de mãos dadas…

 

Mas não será que esse treino emocional nos pode deixar menos espontâneos?

Não, de todo! Aliás é precisamente o contrário. Para conhecermos a nossa versão mais autêntica é necessário muito fitness emocional. Há tantas pessoas que andam pela vida achando que sabem quem são, mas na verdade são réplicas: dos pais, dos avós, dos professores, dos colegas e amigos… Daquilo que a sociedade lhe dita e faz delas.

Para deixarmos de ser uma cópia de outros, temos que saber genuinamente como somos e para isso é necessário compreender as nossas emoções. Um dos grandes objetivos do Manual é ajudar-nos refletir sobre a nossa forma única de ser e de reagir perante as circunstâncias da vida.

Na verdade, o Manual não nos ajuda a treinar emoções mas sim a dar passos que nos permitem conhecermo-nos e, dessa forma, aprender a gerir a nossa vida emocional.

O termo Fitness permite também antever que será necessária alguma vontade e persistência para trilhar este caminho de 13 passos, que são 13 verbos – isso implica sempre ação.

 

O que espera com este livro?

Espero conseguir trazer um pouco mais de entendimento para o mundo. Se cada um se conhecer melhor poderemos relacionar-nos de forma mais autêntica, mais saudável e prazerosa. Deixaremos de precisar de fingir que somos algo que na verdade não somos.

E espero também trazer mais saúde para este mundo porque acredito convictamente que as palavras com saúde geram vidas, relacionamentos, famílias, empresas, mais saudáveis e felizes.

 

Qual tem sido a reação das pessoas?

Muito boa. Creio que o título acaba por desconcertar alguns mas, em simultâneo, atrai. É como dizia o poeta: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

As pessoas não estão muito habituadas a cuidar de si desta forma, conhecendo-se, dando atenção às suas emoções e às suas palavras.

Mas a realidade está a mudar e hoje há muita mais recetividade a estes temas. Neste momento já há muitas pessoas a treinar e não tarda nada a cidade de Braga estará no topo das cidades com melhor Fitness Emocional. Vamos trabalhar para isso!

 

(Esta entrevista foi publicada na 237ª Edição da Revista SIM, em Julho de 2019.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoEntrevista Ana Raquel Veloso
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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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