Jogos e Papéis

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Jogos e Papéis

O que acontece quando não conseguimos viver a vida sem estar constantemente a desempenhar papéis? Por que razão sentimos que a vida é um jogo e precisamos sempre de estar alerta? Qual a necessidade de estar sempre a jogar? Será que é possível sentir satisfação e genuína conexão vivendo desta forma?

Estas são questões que muitas vezes me coloco e, na verdade, não sei se tenho resposta para todas elas. No entanto, há 3 coisas que já sei e me ajudam a compreender melhor o motivo pelo qual agimos desta forma.

        1. Sei que quando alguém desempenha um papel é porque não se sente bem na sua pele e precisa de encontrar uma personagem que lhe seja mais confortável ou tolerável. A falta de amor-próprio, a insegurança, gera esta necessidade extrema de se adaptar às circunstâncias, pois no seu diálogo interno ouvem: aquilo que tu és não é suficiente.

        2. Sei também que a longo prazo a sensação de desajuste, ou fraude, pode surgir e agravar a falta de amor-próprio. E na verdade, nunca podemos ganhar um jogo no qual não participamos. Desempenhando um papel nunca somos nós a estar lá e a sentir, por isso mesmo, os ganhos, a satisfação e as alegrias nunca serão nossos.

        3. Sei que ninguém nos ama pelos papéis que desempenhamos e, lamentavelmente, nunca poderemos amar alguém se não formos a nossa versão mais autêntica. Aquilo que eu finjo que sou, na melhor das hipóteses, só pode fingir que ama alguém. O amor reside na nossa verdadeira essência, no nosso Eu mais puro e genuíno.

Este processo de não-aceitação daquilo que somos acarreta muitos riscos. Decidir desempenhar um papel e encarar a vida como um jogo, alheia-nos da nossa essência e afastando-nos também do nosso verdadeiro caminho.

Qualquer processo de desenvolvimento pessoal é um caminho de descoberta até nós mesmos, este é o verdadeiro significado de auto-conhecimento. Se nós não nos conhecemos, como é possível gostarmos de nós? Temos que nos conhecer e saber como somos para nos podermos amar. E depois aí, perdidamente apaixonados por nós, podemos apresentar-nos ao mundo e construir relações saudáveis!

E porque estas coisas tocam a todos, deixo aqui este texto que escrevi há uns anos quando me fartei de desempenhar papéis e decidi começar a ser apenas eu 😉

Esvaí-me…

Consumi-me até ao tutano…

Desgastei-me nos tantos papéis que desempenhei.

E Porquê?

Não certamente para me agradar…

Não certamente por me amar…

Agora já não posso mais.

Agora já não consigo ser outra.

Resta-me apenas a energia para ser Eu.

Assim serei…

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ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.