Quando a pessoa errada somos nós!

Início  |  Desenvolvimento pessoal   |  Quando a pessoa errada somos nós!

Quando a pessoa errada somos nós!

Um destes dias vi uma publicação de alguém no Facebook que dizia: Às vezes somos bons demais com as pessoas erradas. Este tipo de publicação desagrada-me sempre pois sinto-o como uma vulnerável exposição da pessoa que o publica. Mas este caso para mim foi um pouco mais longe. A publicação era acompanhada de um comentário, a meu ver muito íntimo. A pessoa que o partilhou acrescentou as seguintes palavras: Tantas vezes e o pior é que não aprendemos. Confesso que já nem liguei ao emogi triste com que terminou a frase.

Uma das coisas que mais me desagrada quando navego pelo Facebook é ver as pessoas exporem-se e a desvalorizarem-se de forma explícita. Na verdade, a publicação que anteriormente referi é precisamente isso. O desconforto que senti quando a li impeliu-me de imediato a escrever. Pareceu-me importante refletir sobre o que estas duas frases poderão estar a querer dizer sobre quem as publica.

Primeiro, seria importante perceber o que é ser bom e o que é ser errado.

Será que uma pessoa que se engana sucessivamente relativamente aos outros estará a ser boa? Será que tanto erro fará do seu comportamento algo certo? Será que o universo não lhe coloca no caminho estas pessoas que apelida de erradas para que possa fazer alguma aprendizagem, e assim aprender a acertar na escolha de melhores companhias?

Se uma criança demora anos para aprender a fazer contas de somar ou a andar de bicicleta considera-se que poderá ter algum tipo de problema de aprendizagem. No entanto, se na idade adulta não conseguimos aprender a escolher as pessoas que queremos que nos acompanhem e passamos a vida a fazer escolhas “erradas”, dizemos que somos excessivamente bons. Nem sequer consideramos a hipótese de podermos estar a ser maus alunos da Vida e esta, com a sua imensa sabedoria, nos poder estar a ajudar. Como? Colocando essas pessoas no nosso caminho para que tenhamos consciência do motivo pelo qual fazemos as escolhas erradas e depois para que aprendamos a fazer escolhas certas. E enquanto não aprendermos a lição, as “pessoas erradas” continuarão a aparecer…

Segundo, temos sempre a arrogância de dizer que nós somos bons e os outros não.

Este pensamento carregado de críticas, julgamentos e juízos de valor poderá por si só explicar por que razão essas pessoas se “enganam” tanto relativamente às escolhas que fazem.

Nunca com pensamentos ou palavras críticas e julgadoras nos podemos conectar com o outro. E sem conexão não há verdadeira interação. Quando vivemos a vida desta forma nunca estamos no momento presente e este é o único momento em que conseguimos ver com alguma clareza. Se a nossa forma de estar na vida é criticar e julgar, quando estamos com o outro nunca o poderemos ver nem sentir.

Quando só vemos coisas más no outro, isto acontece porque de alguma forma este defraudou as nossas expectativas. Quando nos relacionamos com alguém acreditando nas histórias que construímos dele, obviamente que ele nunca será como imaginamos e queríamos que fosse. Mas tarde ou mais cedo perceberemos isso… normalmente da pior forma.

Nessa altura, quando finalmente nos apercebemos que ele não satisfaz as nossas expectativas, frustramos. No nosso íntimo conhecemos a verdade mas, por ego, não a queremos aceitar. Assim, elevamo-nos à condição de mártir e autodenominamo-nos como “Boas pessoas”. Como a culpa não desaparece só com pensamentos de mártir temos que fazer algo para nos sentirmos melhor. Como continuamos sem assumir a responsabilidade pelas escolhas que fizemos, sem que nos apercebamos, as palavras que publicamos são como uma confissão de culpa.

As publicações como esta surgem então na esperança de encontrar reforço positivo dos “amigos” virtuais para nos alimentar o ego. E dessa forma comunicamos ao mundo que não sabemos fazer escolhas e não estamos dispostos a aprender, atraindo assim mais pessoas “erradas” para a nossa vida…

Terceiro, estas palavras revelam um auto-boicote e uma fragilidade emocional imensa.

Esta pessoa não está à espera de alguém que a ame. Esta pessoa que está a mendigar amor está a dizer: Tenham pena de mim porque eu até estou disposta a acolher “pessoas erradas”.

Esta falta de amor-próprio nunca é atraente ou cativante, bem pelo contrário. Ninguém equilibrado e com uma boa dose de amor-próprio diz: Uau! Aqui está uma pessoa que passa a vida a escolher as pessoas erradas e nunca aprende. Fascinante, quero conhecê-la! Só aqueles que já se consideram “a pessoa errada” poderão manifestar esse interesse, pois saberão que serão os escolhidos.

Não perceber como as palavras que proferimos nos condicionam, é desperdiçar o enorme poder que a linguagem tem nas nossas vidas.

Cada pensamento que temos, cada palavra que dizemos, revela algo sobre nós. Através deles temos uma excelente oportunidade para nos conhecermos e perceber o que o nosso Eu mais íntimo revela sobre nós.

Esse trabalho de Autoconhecimento é fundamental para sabermos quem e como somos. É preciso que nos conheçamos para que possamos ter consciência do nosso papel neste mundo e do contributo que estamos cá para dar. Assim, alcançando Autoconsciência estaremos no caminho do tão desejado Autocontrolo. Isso sim permitir-nos-á fazer as melhores escolhas para nós!

De nada adianta ficamos sentados no nosso lugar, com o telemóvel na mão, considerando o mundo à nossa volta um lugar hostil e esperando que os outros reconheçam o nosso valor. A perceção que temos de nós e do que valor temos é precisamente aquela que os outros vão reconhecer. Eles captam aquilo que nós sentimos e pensamos sobre nós próprios, não há como se enganarem.

E por último, seria importante percebermos que não estamos cá para ajudar os outros, estamos cá para nos ajudarmos a nós próprios a cumprir o objetivo da nossa existência. Ser Feliz é libertar-se na necessidade do outro para reconhecer o nosso valor. Quando nós não reconhecemos o nosso próprio valor, somos nós a pessoa errada…

Anterior

Melhorar o meu presente

SEGUINTE

Rumo à nossa melhor versão

ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.