Rumo à nossa melhor versão

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações, Histórias Deixe um comentário

Recentemente, durante a conversa com uma grande amiga, esta perguntava-me: Diz-me o que é que eu posso fazer para mudar? Para me sentir melhor?

O contexto dela será certamente o mesmo de muitos de nós. Sente-se cansada de ser como é pois acredita que pode ser muito mais. Nestas fases, que todos a dada altura vivemos, o que estamos a Ser deixa de ser suficiente para nós, precisamos de Ser mais e melhores, por nós e para nós, não para os outros.

Nestas alturas, em que o desconforto e o desassossego se instalam nas nossas vidas, a transformação mais do que necessária torna-se imperativa. Não é mais possível permanecer da mesma forma, para sobreviver é preciso reinventarmo-nos numa melhor versão de nós mesmos.

Não sou grande apologista de conselhos ou dicas, acho sempre que o que pode servir a uns, não servirá certamente para outros. Somos seres únicos e tudo o que escolhemos deverá estar de acordo com o que somos. No entanto, há coisas com as quais quase todos concordamos, da mesma forma que há coisas que nos fazem bem a todos.

Estas dicas são apenas ideias que podemos por em prática, cada um à sua maneira, ao seu ritmo e de acordo com as suas vontades. Isso é o que dá cor à vida, o facto de sermos diferentes. Mas, o que que dá valor à vida é o facto de cada um de nós fazer o esforço contínuo e diário para se tornar um ser humano feliz.

Aqui ficam as minhas dicas que acabam por ser a resposta que dei à minha amiga:

1. Sentir o que somos

Mais do que saber quem somos ou perceber como somos, pois isto são ações da nossa mente, é importante sentir o que somos. Para que isso aconteça não temos que pensar ou fazer grandes investigações sobre nós. Para sentir o que somos temos apenas que parar, dedicar atenção às nossas emoções e nada pensar…

2. Parar de interpretar

A vida não precisa de ser interpretada, a vida necessita de ser vivida! Não podemos querer encontrar explicações para tudo sob pena de, com tanta explicação, se perderem as sensações e as emoções.

As interpretações são âncoras que nos prendem ao passado. São dadas com base em factos do passado, por isso nunca poderão ajudar a compreender o presente muito menos o futuro.

3. Parar de explicar

Vivemos num tempo em que tudo tem que ter uma explicação. Pior, vivemos num tempo em que temos que dar explicações para tudo. Há coisas que simplesmente são, sem qualquer explicação, há coisas que sentimos e queremos simplesmente porque sim. Precisamos de ter a liberdade de agir de forma leve e espontânea sem ter a mente impregnada com a necessidade de dar explicações, a nós e aos outros.

4. Fazer as perguntas certas

Confúcio dizia que o importante não era a resposta, mas sim a pergunta. Uma boa pergunta revela-nos muito sobre as questões que os preocupam. A forma como formulamos a pergunta e onde pomos a tónica, revela sempre onde reside a questão a ser resolvida. Saber fazer perguntas é uma arte pois na pergunta encontramos a resposta…

5. Perceber o peso que carregamos

Achamos que somos assim e pronto. A verdade é que somos assim porque nos fomos construindo dessa forma. A família, as tradições, as expectativas dos pais, as convicções limitadoras da família, os afetos que nela se vivenciam, os traumas, as alegrias, as amarguras… Tudo isto são aprendizagens que nos condicionam.

É importante perceber o que é nosso genuinamente e tudo aquilo que nos foi transmitido. Só aí podemos decidir em consciência se é algo que queiramos carregar ao longo das nossas vidas…

6. Ter consciência de como tratamos os outros e do que isso revela sobre nós

A forma como tratamos os outros revela muito sobre nós. Aquilo que pensamos que eles são, a forma como julgamos os seus atos, as atitudes que temos para com eles, revelam os valores que nos movem, as experiências que vivemos, o amor-próprio que desenvolvemos… Tal como diz a frase: Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.

7. Perceber que desejos estão escondidos nos nossos medos

Acredito que cada medo esconde um desejo. Se fizermos um percurso através dos nossos medos acabaremos por chegar a algo que muito desejamos. Para perceber que medos temos e que desejos escondemos, o ideal é fazermo-nos perguntas de forma criativa. Podemos sempre perguntar-nos: Como seria a minha vida se eu não tivesse este medo? O que sentiria? Que experiências viveria? Talvez assim descubramos aquele desejo que nos tentamos esconder…

 

Estas são alguns passos que todos podemos dar rumo a uma melhor versão de nós mesmos. O importante é mesmo dar passos e começar a andar pois o caminho faz-se fazendo.

 

(Este artigo foi publicado na 224ª Edição da Revista SIM, em Outubro de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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