Confiança… Sim ou Não?

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Histórias Deixe um comentário

Parecia uma coisa e depois revelou-se outra; Traiu a minha confiança; Nunca imaginei que ela fosse assim; Ele enganou-me bem…

Frases como estas já todos ouvimos e é caso para nos perguntarmos: Por que razão nos deixamos enganar? Na verdade ninguém nos engana e, por isso, seria conveniente fazermo-nos outra pergunta: Por que razão nos engamos a nós próprios? Para mim a resposta a esta questão é mais simples e apenas uma: Porque não sabemos confiar! Deixamo-nos enganar porque não sabemos confiar e isso revela muito sobre a forma como sentimos e vivemos a nossa vida.

A confiança gera-se na fé, no amor-próprio, na empatia, ou seja, na capacidade que temos para entender o mundo e os outros. A confiança constrói-se e alimenta-se de boas decisões tomadas ao longo da vida, por isso é tão importante o autoconhecimento neste processo.

Confiar é simplesmente uma escolha binária, ou sim, ou não.

O importante aqui é entender os critérios que nos levam a fazer essa escolha. Isso sim poderá revelar muito sobre nós e ajudar-nos a perceber melhor a forma como avaliamos as nossas relações e tomamos as nossas decisões.

Ao longo da minha vida, fui tentando perceber por que motivo confiava em determinadas pessoas e por que razão havia outras que não me inspiravam a mínima confiança. Este processo de tentar perceber os porquês desta questão acabou por se tornar muito revelador relativamente a partes minhas que desconhecia. Percebi também que nem todos valorizamos o mesmo, somos diferentes e cada um de nós tem a sua própria hierarquia de valores. A questão da confiança no outro é um reflexo daquilo que somos e da confiança que temos em nós próprios, daí ser um assunto pessoal.

No entanto, e não obstante este fator tão pessoal, haverá certamente algumas coisas que todos podemos ter em comum relativamente a este assunto. Como não me cabe a mim decidir que coisas são essas, decidi partilhar convosco a forma como eu sinto a questão da confiança no outro. Caberá a cada um de vós ver se algo ressoa no vosso interior e iniciar um processo de autoconhecimento relativamente a este assunto. Acreditem que a confiança que temos no outro revela sempre muito sobre nós.

Pois bem, nesta procura incessante de resposta sobre a minha relação com os outros e sobre a temática da confiança, partilho convosco as minhas aprendizagens pessoais. Sintetizei-as em 10 pontos para que a leitura seja mais fácil e apelativa.

  1. A confiança é binária, ou se tem ou não se tem. Não é possível confiar em alguém a 99%, isto para mim significa que há algo naquela pessoa que não é de confiança, aquele 1% de não confiança estará sempre presente.
  2. Confiar é um ato de amor-próprio. Para sentir confiança dentro de mim preciso de me amar, de confiar na magnitude do meu ser, no meu lugar no Universo. Preciso de confiar e sentir que aquilo que sou é suficiente para que eu própria me ame.
  3. A confiança exige autoconhecimento. Precisamos de saber quem e como somos, o que valorizamos, como tomamos decisões para que possamos ser dignos de confiança. Não é possível confiar em alguém que não se conhece, pois nem ele próprio sabe quem é.
  4. Só existe confiança com autenticidade. A confiança não suporta jogos de “fazer de conta” apenas a autenticidade do ser. Qualquer sinal de incoerência ou falsidade é percecionado pelo nosso cérebro, mesmo de forma inconsciente, e isso gera uma sessação de desconforto em nós. Esse é um sinal de alerta que nós próprios emitimos e o nosso corpo sente como: cuidado, essa pessoa não é de confiança.
  5. A confiança exige a totalidade do ser. A maioria das pessoas tem medo de mostrar o seu lado sombra, o seu lado lunar. Pois bem, ninguém vive apenas de luz e sol, ninguém pode ser autêntico apenas com essa metade. A perfeição em nós adquire-se quando aceitamos a totalidade do nosso ser: a luz e a sombra, o dia e a noite. É tão mais fácil confiar em alguém quando o conhecemos nesta totalidade.
  6. A confiança torna-nos vulneráveis. A confiança é uma relação que se cria, é um ato de entrega e aceitação. Cada vez que nos entregamos a alguém com a nossa verdadeira essência, com a totalidade do nosso ser, sentimo-nos mais vulneráveis. No entanto, é precisamente isso que torna a relação especial e que nos permite criar esse laço sólido de confiança.
  7. A confiança é um privilégio. Quando alguém na nossa presença é a sua versão mais autêntica isso é um verdadeiro privilégio. O mesmo acontece quando nós podemos ser apenas nós na presença de alguém. Uma relação como essa deverá ser cuidada com um carinho e dedicação muito especiais.
  8. A confiança dá responsabilidade. Uma relação onde existe confiança é uma relação de muita responsabilidade. Isto não significa que haja expectativas que tenhamos que cumprir. No entanto, significa que a empatia deverá ser a pedra basilar da relação. Para mim a verdadeira empatia exige três ações: entender o outro, sentir o outro e agir da melhor forma para ambas as partes.
  9. A confiança é uma prenda que nós próprios nos damos. Confiar em alguém dá-nos prazer, segurança, satisfação. Quando decidimos expor-nos tal como somos, quando aceitamos alguém tal como é, sem quaisquer críticas, julgamentos ou juízos de valor, essa relação é um presente dos deuses que nós próprios nos oferecemos.
  10. Confiar exige inteligência emocional. Só sendo a nossa melhor versão, a nossa versão mais autêntica, teremos a capacidade de sentir e decidir de forma inteligente o que é melhor para nós. Sendo a confiança uma decisão, é importante termos clareza e inteligência emocional para o sabermos fazer.

 

(Este artigo foi publicado na 225ª Edição da Revista SIM, em Outubro de 2018.)

 

Author Image

Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoConfiança… Sim ou Não?
Author Image

Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

DEIXE O SEU COMENTÁRIO