Desejos de Fim d’Ano

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

 

Com a entrada do mês de Dezembro estará chegada a altura de começar a preparar o Novo Ano. Habitualmente formulamos desejos na noite de Passagem do Ano esperando que estes se concretizem. Coisas como: saúde, paz, amor, um novo emprego, perder peso, deixar de fumar, fazer mais exercício, constam na lista dos desejos mais solicitados.

Mas a verdade é que muitos destes desejos são formulados ano após ano sem que nunca se concretizem. Por que razão pedimos algo todos os anos de forma repetida? Será que nos detemos para pensar no motivo pelo qual o fazemos?

Quiçá se colocarmos uma pergunta no final de cada desejo consigamos ter algumas respostas. A seguir a cada desejo perguntemo-nos:

O que estou disposto ou disposta a fazer para o concretizar?

Se tentarmos perceber o que estamos dispostos a fazer talvez isso nos mostre o motivo pelo qual nos anos anteriores esses mesmos desejos não se realizaram. A verdade é que a concretização de muitos dos nossos desejos depende unicamente da nossa motivação. Se não tivermos vontade de fazer algo diferente, se considerarmos que depende de outros, da sorte ou do universo, talvez estejamos a criar o cenário para no ano seguinte estarmos novamente a dizer as mesmas palavras enquanto tocam as badaladas…

O facto é que na maioria das vezes nos alienamos do nosso poder para transformar a nossa vida e torná-la naquilo que queiramos que seja. Até aqui estaria tudo bem, pois seria uma decisão nossa. A questão surge quando nos queixamos da vida que temos e manifestamos o desejo de ter uma diferente.

A maioria de nós vive com um medo assustador da mudança, no entanto deseja-a. Como é óbvio este paradoxo causa muitos conflitos internos, já para não falar do sofrimento que pode estar associado. Sentir a necessidade interna de transformação é um sinal de que a desejamos e nos sentimos preparados para ela. No entanto, tudo fazer para permanecer da forma que estamos torna-se incoerente para o nosso organismo, e muitas vezes daí surge a ansiedade, a tristeza, a raiva, a frustração…

As nossas emoções podem ser o indicador de que o caminho que escolhemos para nós poderá não estar a ser o mais saudável. Uma emoção é informação que o corpo nos dá para que saibamos o que em nós se passa. Se fazemos algo que não é incoerente, é natural que o nosso corpo se manifeste de forma menos agradável para que lhe darmos atenção. Quando nada fazemos e tentamos camuflar os sinais, o corpo terá que fazer soar mais alto o seu descontentamento.

A vida é o conjunto das decisões que tomamos. Se decidimos não ouvir os sinais que o nosso corpo nos dá, dificilmente conseguiremos ter uma boa vida, saudável e feliz. Talvez para todos aqueles que desejam ter Saúde, um bom passo para a alcançar (ou manter) talvez seja mesmo começar a ouvir o que o nosso corpo nos está a dizer.

A coerência entre o pensar e o agir dá-nos coerência no sentir. Estes três verbos estão associados quando falamos de comportamento humano.

Pensar, Agir e Sentir, da coerência entre eles surge o nosso bem-estar.

Com base nisto, para este próximo ano de 2019 talvez possamos formular desejos um pouco diferentes. Em vez de nos focarmos no objetivo que tal focarmo-nos no caminho que temos de percorrer para o alcançar?

Como seria se no 31 de Dezembro quando as badaladas tocassem nós pedíssemos:

CLAREZA EMOCIONAL para tomar as decisões mais saudáveis e adequadas para nós;

MOTIVAÇÃO para diariamente darmos pequenos passos rumo à nossa melhor versão;

AUTOCONHECIMENTO para saber como somos e nos podermos amar incondicionalmente;

AUTOCONTROLO para não sermos vítimas das nossas próprias ações;

AUTOCONSCIÊNCIA para poder criar a nossa realidade e viver tal como desejamos.

 

E como seria ainda se em vez de pedir, prometêssemos? Por exemplo:

– Este ano prometo respeitar-me e unicamente tomar decisões que promovam o meu bem-estar.

– Neste próximo ano prometo que tudo farei para construir a vida que quero ter.

– Neste Novo Ano que inicia prometo conhecer-me melhor e aprender a fazer uma melhor gestão emocional.

Se conseguíssemos pôr tudo isto em prática, como estaríamos no final de 2019? O que teríamos alcançado? Nessa altura, findo mais um ano, se nos tivéssemos dado tudo o que nos prometemos no ano anterior, quereríamos nós pedir algo mais ao Novo Ano?

(Este artigo foi publicado na 227ª Edição da Revista SIM, em Dezembro de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoDesejos de Fim d’Ano
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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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