Natal…com Tempo

porAna Raquel Velosoem Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações, Histórias Deixe um comentário

 

Sinto os primeiros raios de sol a entrar pelo quarto… Percebo que o dia raia nesta manhã fria de Dezembro… Não há espanto, afinal é véspera de Natal! Adoro acordar com tempo neste dia. Sabe tão bem ficar a ver o ano que quase já passou como se fosse um filme diante dos meus olhos… Sabe tão bem ficar dentro dos lençóis, e dentro de mim, a sentir simplesmente o tempo passar… a sentir-me no tempo que já passou…

Tenho que aproveitar estes momentos em que posso sentir o tempo e viver-me nele. Na verdade ele não me obriga a correr atrás dele, isso raramente acontece. O mais habitual é ter que esperar por ele, aguardar que os tempos cheguem…

Manhãs como esta são anos de vida que aconchego em mim a cada minuto que passa. Tão bom sentir a vida com tempo. Tão bom sentir-me e saber que tenho tempo… Sei que mal me levante o tempo voará e eu voarei com ele.

Recordo que ainda há pouco tempo esta era a minha época do ano preferida. Estávamos sempre todos juntos neste dia, sentados à mesa em todas as refeições. Sentíamos a felicidade de podermos estar próximos, de poder conversar, contar novas histórias e recordar umas tantas outras. E durante anos foi assim… Sempre juntos, sempre próximos, sempre Nós. Mas o tempo passou e Nós também…

Hoje acordei feliz, como é hábito. Sinto sempre um grande entusiasmo matinal e uma imensa vontade de viver os meus sonhos. Mas sinto também que há tempo que já passou… Percebo isso porque as experiências de vida são já muitas, assim como as aprendizagens. Nada pesa, mas a verdade é que tudo isso ocupa lugar. Onde outrora havia grandes sonhos, hoje há mais experiência e aprendizagem… Recentemente o meu otimismo começou também a ceder o seu lugar a uma maturidade muito objetiva. Continuo a sonhar! A maturidade exige apenas que os meus sonhos tenham um fio terra. Não é melhor nem pior, simplesmente diferente.

Podia pensar que a vida assim é mais triste, mas não é verdade. Quando a vida se transforma é porque nós a podemos acompanhar nessa transformação. Esta vida agora é a minha, porque esta vida hoje sou mais EU. Quero sempre acreditar que a vida dá as cartas mas eu é que jogo. Por isso decido sempre ganhar, nunca me dou outra opção.

Não tenho ponta de competitividade, por isso nunca penso nos outros quando jogo, apenas em mim. Neste jogo quero sempre ganhar-me porque acredito que cada um joga apenas consigo, umas vezes contra outras vezes a favor…

Mas este jogo é exigente e dá trabalho, tenho que me conhecer e conhecer o adversário. Tenho sempre que antecipar jogadas e aceitar com honra algumas derrotas. Preciso de ter uma visão clara e segura para garantir que pequenos desvios não me afastam do meu objetivo final – Vencer é Viver!

E nesta manhã de 24 de Dezembro recordo em paz alguns dias em que quase me derrotei e quase perdi para mim mesma. Recordo também dias em que venci e que ressurgi como uma fénix, saída das cinzas das minhas próprias memórias. A verdade é que ainda a sinto a memória de todos esses dias, acho que o esforço ficou gravado no meu corpo… Ainda sinto esse renascer em todos os músculos da minha atual existência…

E de renascimento em renascimento vou vivendo, sempre com muita atenção ao tempo e aos seus devaneios cósmicos. Ultimamente acelerou, já muitos há muito falavam nisso… Não é novidade, precisamos apenas de o entender e aprender a vivê-lo nesta nova velocidade… Na verdade é disso que sempre se trata, aprender para poder e saber viver…

Agora sinto que está na hora de me levantar e viver o Natal. Sei que vou nascer novamente, pois sei que estes são tempos de renascimento… Todos o sentiremos, todos renasceremos, uns mais a tempo que outros…

Sinto uma imensa gratidão por tudo o que tenho e por tudo o que sou… Agradeço ao tempo a vida que me dá e agradeço-me a mim por saber vivê-la com tempo. Não tenho tempos livres, muito menos tempos mortos, quiçá por isso sinto tanto o tempo…

Hoje, com esta idade, sei que o tempo só tem tempos quando é vivido com sentido, doutra forma é só tempo corrido e quiçá perdido…

 

Desejo que este Natal nos traga muito tempo, para que assim juntos possamos construir Novos Tempos.

Feliz Natal!

 

(Este artigo foi publicado na 228ª Edição da Revista SIM, em Dezembro de 2018.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


Ana Raquel VelosoNatal…com Tempo
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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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