Aprender a falar

porAna Raquel Velosoem Comunicação, Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações, Histórias Deixe um comentário

 

Quando em crianças vamos para a escola todos temos o objetivo de aprender a ler e a escrever. De forma mais ou menos eficiente, esse objetivo é atingido por todos nós apenas num par de anos. Quando saímos do ensino primário já sabemos juntar as letras e atribuir-lhes um significado.

No entanto, chegados à idade adulta apercebemo-nos muitas vezes de que a forma como comunicamos não é a mais saudável. Falamos de forma pouco conveniente para nós, muitas vezes causando mal-entendidos e conflitos. Talvez então, só nessa altura consigamos perceber que apesar de nos ensinarem a ler e a escrever, ninguém nos ensinou a falar…

É verdade que as palavras podem ser mel, mas também podem ser vinagre. Todos conhecemos pessoas que com os seus discursos e palavras nos adoçam a alma. Pessoas com as quais nos apetece estar apenas porque nos sentimos bem ao pé delas e a ouvi-las.

Mas todos conhecemos também pessoas que mal abrem a boca nos fazem sentir desconfortáveis. Mesmo que não entendamos bem esse desconforto, o nosso corpo sente-o de forma tão exuberante que só nos apetece sair do sítio onde estamos. Não é uma situação difícil de entender uma vez que há pessoas cuja linguagem é tão desagradável, negativa e invasiva que só nos apetece deixar de estar ao pé delas. Tudo o que dizem é pouco sadio pois queixam-se, criticam, fazem juízos de valor sobre tudo, apenas veem o lado negativo das situações. As emoções que geram em nós são tão desconcertantes e desagradáveis que só queremos ir embora…

Cada um tem o direito de ser como é, no entanto, ninguém tem o direito de interferir na vida de outrem. O problema é que estas pessoas têm uma fome imensa de falar com os outros, de se falarem tal como são, de contarem as suas histórias vezes sem conta e de contaminarem os outros com tudo isso.

Imaginemos que entramos num restaurante para almoçar e havia apenas dois pratos na ementa. Um preparado com produtos naturais e saudáveis, cozinhados de forma simples com muito amor e carinho. O outro prato era feito com comida processada, carregada de químicos, cozinhado de forma rude e com emoções muito negativas. Que prato escolheríamos? O que seria melhor para a nossa saúde?

As palavras dão saúde e são saúde. Não é indiferente aquilo que dizemos, nem a forma como o dizemos. Nunca foi e nunca será!

Vemos que quase todas a religiões falam do poder da palavra. De forma mais ou menos explicita mostram-nos como a palavra condiciona, ou determina, aquilo que vivemos. A ciência, por sua vez, tem também vindo a demonstrar o poder da palavra na nossa vida, na nossa saúde, nas nossas emoções.

Nos dias de hoje, o mau uso da palavra acaba por gerar e agravar muitos dos males que caracterizam a nossa sociedade atual. As pessoas sentem-se sós, isoladas; as relações estão vazias de amor e entendimento; nas famílias não há verdadeiro diálogo; no ser humano não há paz nem satisfação.

Aprender a falar não é a cura para todos os males, mas é sem dúvida um bom começo. Cuidar das nossas palavras, pensar em tudo o que dizemos (e não dizer tudo o que pensamos) pode ser sinónimo de autoconsciência, autoconhecimento e autocontrolo. Estas três qualidades representam os 3 C’s que na minha opinião comandam a nossa vida: Consciência, Conhecimento e Comportamento. Cuidar destes 3 C’s é um dos caminhos para construir uma forma de comunicação mais saudável e agradável.

Falar de forma agressiva, queixosa, maldosa ou desagradável é andar pelo mundo, com uma arma poderosíssima a disparar negatividade indiscriminadamente. É preciso que tenhamos consciência do poder que temos em nós para que o possamos utilizar a nosso favor e para o bem-estar da humanidade.

Comecemos um Novo Ano determinados a falar de forma diferente, por Nós e para Nós!

 

“Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o teu silêncio, e lembre-se que alto deve ser o valor de suas ideias, não o volume de sua voz. Falar sem pensar é disparar sem apontar.”

George Herbert

(Este artigo foi publicado na 229ª Edição da Revista SIM, em Janeiro de 2019.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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