Uma Nova Realidade

porAna Raquel Velosoem Comunicação, Desenvolvimento pessoal, Em Destaque, Emoções e Relações Deixe um comentário

 

A primeira década do século XXI exigiu de nós uma profunda adaptação. A entrada das Novas Tecnologias trouxe-nos novas formas de viver, de trabalhar, de nos conectarmos uns com os outros. Trouxe-nos também alterações profundas nas relações, nas dinâmicas sociais e familiares, alterações essas a que ainda hoje nos estamos a tentar adaptar…

A segunda década deste milénio está também quase a chegar ao fim, o ano 2020 está já a espreitar. Nesta fase sinto que ainda não temos consciência daquilo que estes tempos representam, mas creio que irão ficar para a história.

Podemos dizer que estes últimos anos se apresentaram desafiantes e exigiram muito trabalho da nossa parte. Fomos confrontados com desafios, crises e situações que exigiram que nos transcendêssemos, que descobríssemos coisas em nós para podermos fazer face a novas situações. Este processo de autodescoberta e superação a nível pessoal é extraordinário pois permite que nos reinventemos e adaptemos – este é um mecanismo de sobrevivência dos humanos.

Sei que tal como no século passado estes são tempos de grande mudança e transformação. Atrevo-me mesmo a dizer que esta próxima década de anos 20 que se avizinha será tão disruptiva como a do século anterior. No entanto, nesta não serão as alterações no mundo da moda ou na indústria automóvel que ficarão para a história.

Creio que neste terceiro milénio o tema é o Indivíduo, o Ser Humano. Na primeira década, limpamos o que trazíamos a mais do milénio anterior. Nesta segunda, fomos à escola, aprender as regras destes Novos Tempos. Na terceira, estaremos prontos para começar a viver o terceiro milénio de acordo com as suas próprias dinâmicas e regras.

E quais serão estas dinâmicas? Que regras nos traz a próxima década?

Eu penso que a primeira grande regra é: Viver uma vida feliz. Acho que já todos percebemos, com o aumento da esperança média de vida, que a nossa existência no planeta é cada vez mais longa. Neste terceiro milénio vive-se muito tempo e é importante que esses anos sejam vividos de forma feliz.

A cultura do esforço, das condições de vida difíceis, das lutas e reivindicações, da linguagem negativa e acusadora, já não funciona nestes tempos. O exemplo disso é que os jovens e as crianças não entendem esse discurso. Como não viveram esses tempos, dificilmente conseguem ter uma representação mental para perceber esse discurso.

Estes jovens são no entanto afetados por outras situações das quais ainda não estamos totalmente conscientes. A falta de modelos parentais adequados, a ausência dos arquétipos paternos ou maternos no seu crescimento, duas casas (ou mais) mas nenhum lar, défice de atenção por parte dos pais, solidão e falta de diálogo, falta de referências do que é um casal ou uma relação feliz, falta de capacidade para sonhar, excesso de exposição nas redes sociais, ausência de modelos inspiradores saudáveis, falta de competências para estabelecer uma relação “ao vivo”, excesso de consciência relativamente às dinâmicas familiares…

Estas são algumas das coisas que assolam os jovens de hoje e que geram situações que nós adultos ainda estamos a aprender a resolver. E se virmos bem, estas situações não se assemelham com aquelas que foram vividas no século anterior ou em décadas anteriores. Para lidar com estas novas situações temos que aprender a ser Novos Indivíduos. Somos nós, os adultos, que temos que aprender e fazer o esforço para nos adaptarmos, pois este é o tempo das novas gerações. Cabe-nos então a nós, adultos responsáveis, tudo fazer para que estas gerações sejam felizes e assim contribuam para a construção de um mundo melhor.

Se virmos as coisas sob este ponto de vista talvez nos ajude a perceber por que razão somos nós a ter que fazer este esforço de adaptação a uma nova realidade e não eles. Vejamos então:

  1. Esta realidade é nova para nós, portanto exige que nos adaptemos a ela aprendendo novas competências, novas formas de Ser, Estar e Fazer.
  2.  A história mostra-nos que nunca houve tempos sem evolução, há sempre um caminho a ser percorrido e de nada adianta resistir.
  3. A história mostra-nos também que há momentos imprevisíveis, caminhos e rumos que as gerações anteriores não souberam prever… Há momento em que se exigem saltos de fé porque o tema é simplesmente disrupção, o velho acaba para se instalar uma nova realidade.
  4. As novas gerações são como um GPS que nos orienta, mostram-nos o que precisamos de aprender para fazer face aos desafios que se avizinham.

Se pensarmos assim percebemos que os jovens de hoje são os adultos de amanhã, serão aqueles que vão construir um Novo Mundo. São eles os líderes do amanhã, aqueles que vão gerir o nosso legado e tudo aquilo que agora for construído com a nossa ajuda. Creio que assim, é mais fácil perceber se estamos a fazer tudo o que podemos para alcançar aquele futuro que tanto desejamos.

A nossa responsabilidade nos dias de hoje é imensa e exige que estejamos atentos a tudo o que pensamos, falamos ou fazemos, para dessa forma perceber se isso é coerente com a vida que queremos construir. Muitas vezes, por medo, falta de coragem para sair da nossa zona de conforto ou apenas por falta de conhecimento, tentamos perpetuar o passado na nossa vida presente. Vejo muitas pessoas a viver as suas vidas desejando o que tinham no passado, a falar do que foi e de como eram… acreditem, não é assim que se constrói um Futuro.

Os novos tempos virão para todos nós, serão vividos com muita alegria e satisfação, desde que façamos o que precisa de ser feito. Os jovens e as crianças de hoje são os sábios de amanhã, temos que garantir que cuidamos da sua saúde física e emocional, que lhe damos o necessário para empreender a sua jornada de vida com a maior satisfação. Neste processo coletivo de crescimento e adaptação, ao fazermos a nossa parte, acabamos por sentir prazer e satisfação na nossa própria jornada, pois isso exige que diariamente sejamos a nossa melhor versão.

Tudo está em transformação, a nossa linguagem e a forma como comunicamos não são exceção.

Acredito que as palavras desta nova década serão: Entendimento, Cooperação, Acolhimento, Respeito, Sustentabilidade, Satisfação, Paz, Integração, Colaboração e AMOR. O meu trabalho é fazer com que estas palavras entrem no nosso vocabulário e que façamos delas a Nossa Realidade.

(Este artigo foi publicado na 230ª Edição da Revista SIM, em Fevereiro de 2019.)

 

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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.


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Ana Raquel Veloso

Licenciada em Ciências da Comunicação, Pratictioner em Programação Neurolinguística e Pós-Graduada em Neuropsicologia Clínica.

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