Conhece-te

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Conhece-te

Há sempre algo que me leva a escrever sobre determinado tema, este artigo não é exceção. O tema do Autoconhecimento está sempre presente nos meus dias, por isso, e pela sua pertinência, decidi escolhê-lo. Mas, na verdade houve algo mais que me levou a fazê-lo… Enquanto não entendo uma coisa não consigo deixar de pensar nela, e foi isso que aconteceu com a história que deu origem a este artigo.

Depois de uma série de encontros profissionais com uma pessoa encantadora e cheia de potencial, dei por mim a pensar no motivo pelo qual sentia uma falta de entusiasmo e ausência de conexão após cada reunião. Habitualmente, as parcerias fascinam-me e qualquer projeto novo é para mim um deleite. Mas, desta vez, não estava a ser assim…

Percebi então algo muito claro: não é possível estabelecer uma relação autêntica com alguém que não se conhece.

E era precisamente essa a dificuldade que eu estava a sentir, não conseguia de forma alguma sentir conexão com essa pessoa.

Com esta situação comecei de imediato a pensar nos imensos benefícios do Autoconhecimento, em particular para as nossas relações. A ausência de Autoconhecimento poderá bem ser considerada um flagelo da humanidade, pois faz com que a pessoas andem pela vida sem se encontrarem a elas próprias e sem viverem as suas próprias vidas.

Oiço tantas pessoas falarem de si sem verdadeiramente se sentirem, oiço-as a definirem-se sem se conhecerem genuinamente, sem saberem qual a sua verdadeira essência. Estas pessoas colocam-se nomes e rótulos, adjetivam-se e qualificam-se, contam histórias sobre si e, no final, quando saem fica o vazio de não sabermos (e não saberem) quem são.

É caso então para perguntar: Por que razão um ser humano não se conhece a si próprio? Por que razão é necessário fazer um esforço para nos conhecermos a nós mesmos?

A primeira resposta que me surge é: Porque ninguém nos ensina que aquilo que somos é quanto basta. Sermos o que já somos é a única coisa que temos de ser.

Ouvimos desde pequenos: és como o teu pai; tens que ser como o teu irmão; nós cá em casa somos todos assim…; toda a família é assim… Depois, quando crescemos, o nosso mundo alarga-se e tudo o resto também. Passamos a definir-nos pela escola que frequentamos, pela cidade e país em que vivemos, pela religião que professamos, pelos clubes que adotamos, pela profissão que escolhemos…

Passamos a ser tudo isto, sem muitas vezes saber quem somos. Por isso, há tantas pessoas insatisfeitas com aquilo que (pensam que) são e com a vida que (acreditam que) têm. Ao longo da vida vamos deixando de nos conhecer, vamos deixando de nos sentir e com o tempo abandonamo-nos, sem dar conta de que o estamos a fazer… Deixamos de sentir e começamos a pensar… e depois passamos a achar que somos aquilo que pensamos que somos.

Muitas vezes as crises da vida têm esse poder, levam-nos a questionar aquilo em que acreditamos para que possamos passar a ver outras realidades. E, neste processo muitas vezes conturbado, chegamos até nós, encontramo-nos num caminho onde há muito nos havíamos perdido…

A beleza deste processo de Autoconhecimento é que é sempre uma descoberta, é sempre o trilhar de um caminho nunca desbravado, é uma verdadeira aventura que nos leva até nós.

O fundamental para que se sinta os resultados é fazê-lo com Consciência, garantindo sempre que tudo é questionado, pois nada é tomado como garantido. Saber que nada sabemos é uma boa premissa para trilhar este caminho, é garantir que tudo pode acontecer e que nada é pré-definido. Somos seres únicos, portanto cada um terá o seu próprio caminho.

No meio desta aventura há riscos que se correm, ou melhor se assumem. Há o risco de nos apaixonarmos pelo nosso verdadeiro Eu, de aumentar o nosso amor-próprio e melhorar a nossa autoestima. Há também o grande risco de gostarem muito da nossa versão mais autêntica, de começarmos a criar verdadeira conexão com os outros, de gerar mais empatia nas nossas relações, mais amor e compaixão, atraindo assim a atenção de pessoa autênticas…

Se não o fizermos será bem mais fácil e não haverá quaisquer riscos. A nossa vida será como tantas outras que conhecemos, seguras, previsíveis e com resultados comprovados…

A escolha é unicamente nossa, decidamos se queremos correr até nós, assumindo o risco de conhecer quem verdadeiramente somos e quiçá nos apaixonarmos pela nossa versão mais autêntica!

Caminhe devagar, não se apresse, pois o único lugar onde tem que chegar é até si mesmo.

Ortega y Gasset

 

(Este artigo foi publicado na 235ª Edição da Revista SIM, em Maio de 2019.)

 

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