Família, uma carta com Amor…

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Família, uma carta com Amor…

Eu sempre me senti algo diferente dos meus… Desde pequena que tenho a perceção das diferenças que temos… Senti muitas vezes que éramos 3 mais uma, no entanto, creio que isso nunca foi uma situação constrangedora para nenhum de nós. Pelo contrário, acho que de alguma forma foi sempre motivo para brincadeiras…

Ser diferente não é um problema, ser diferente é apenas ter características que, naquele meio, neste caso a minha família, não eram partilhadas pelos outros. Felizmente, a maioria das diferenças não amedrontou os meus pais, nem os fez perder grande tempo a pensar na minha educação.

Não gostar de carne, devorar livros, ter sempre uma opinião e manifestá-la, gostar de fazer as coisas à minha maneira, perguntar o porquê de tudo, não ter qualquer interesse pelas tarefas habituais das “meninas”, querer as coisas à minha maneira, ser um bocadinho mandona, são só algumas das coisas que naquela casa me diferenciavam.

Escrevendo-as agora percebo que na maioria das coisas, continuo a ser assim. E isso deixa-me feliz. Sei, e digo com frequência, que é muito importante saber mudar. Mas hoje sei também que é muito bom aceitar e manter aquela que é a nossa essência. Sabe bem sentirmo-nos nós próprios ao longo dos anos, e através da família conseguimos isso. A família é uma referência que temos de nós, é o fio condutor da nossa vida, é a nossa própria história…

Todas aquelas coisas que durante anos eu achei que neles podiam ser menos boas, percebo hoje que são as mesmas que me permitiram ser quem sou. Neles hoje revejo-me e espelho-me, percebo que são partes de mim e essa foi a missão desta família que tenho (e quiçá tenha escolhido…)

Com eles descobri, aprendi e desenvolvi coisas em mim. O papel deles, como educadores, nunca termina pois são sempre reveladores daquilo que eu ainda tenho que trabalhar. Essa é a maior das bênçãos que a nossa família nos dá – mostra-nos o caminho para a nossa melhor versão.

Até hoje já aprendi muito com eles, estou imensamente grata por tudo o que são e me permitem ser e pelo que me mostram que ainda posso alcançar.

O meu pai deu-me o rigor moral, a liberdade de pensamento e uma hierarquia de valores muito bem definida. Deu-me também o gosto pela leitura, a responsabilidade e dedicação no trabalho, a vontade de ajudar e necessária descrição para o saber fazer. Hoje ainda revela um pragmatismo que eu sinto que posso desenvolver.

A minha mãe deu-me uma confiança inabalável, a motivação e a liberdade para agarrar todos os meus sonhos. Deu-me também a capacidade de me rir de mim, de não me levar muito a sério e de saber que não sou o centro do mundo. Hoje ainda me mostra uma vontade de conviver e de se divertir que eu não consigo acompanhar (algo a melhorar…)

O meu irmão permitiu-me desde pequena sentir compaixão, amor na distância e respeito pela diferença. Mostrou-me sempre uma noção de tempo e ritmos diferentes, que eu aprendi a respeitar. E no meio de tantas diferenças, sinto hoje uma sintonia plena e silenciosa na nossa missão de cuidadores da família. Com ele aprendo ainda a desconectar-me e desacelerar o tempo…

E depois de escrever tudo isto, percebo que na nossa família nunca fomos 3+1, mas sim 4. Na verdade, creio que as minhas diferenças eram apenas as mais exuberantes. Eu eu tenho dois pais completamente diferentes entre si e um irmão que em nada se assemelha comigo.

E agora é fácil perceber por que razão tem que haver diferenças entre nós e na diferença nos encontramos. Cada um tem o seu papel na Família… Se eu não tivesse esta necessidade compulsiva de debitar em palavras tudo aquilo que penso e sinto, este texto nunca surgiria…

Sou grata à minha Família por todas as aprendizagens e ensinamentos, pela sua presença em mim e na minha vida. Esta é a minha forma de lhes demonstrar Amor.

Este texto surge depois de uma boa e longa conversa onde uma amiga me disse: Essa situação está a dizer-te qualquer coisa… E eu percebi durante a noite que precisa de manifestar mais a gratidão que sinto pela educação que tive. Graças a ela sinto-me livre, diferente e muito feliz.

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ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.