Aventurar-se no Amor

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Aventurar-se no Amor

 

 O tema do Amor e das relações é mesmo um dos meus preferidos. É certamente aquele ao qual dedico mais tempo, atenção e estudo. Gosto de perceber como é uma relação saudável, por que motivo há pessoas que se entendem de forma sublime e outras que precisam de muito esforço para que isso aconteça. Gosto de analisar perfis e tentar perceber o que pode ser feito para melhorar a comunicação e o entendimento entre os casais…

Enquanto refletia sobre esta questão, recordei vários casos que acompanhei… O primeiro, que me surgiu de imediato, foi o caso em que uma decisão profissional ousada e corajosa salvou um casamento. Recordei também outro, em que uma decisão semelhante acabou de vez com a relação… É o que sempre digo: não há fórmulas, há uma fórmula para cada casal.

Cada casal é a combinação de dois seres únicos, o que torna também cada relação única.

Apesar de saber disso, gosto sempre de pensar, comparar os casos e tentar dissecar as variáveis para ver se percebo algo mais. É sempre possível aprender algo em qualquer ocasião e com qualquer pessoa. Nesta temática das relações, todos os exemplos de seres humanos a relacionarem-se podem sempre ajudar pois mostram-nos algo que fazemos, que podemos melhorar ou até aprender. Os outros espelham sempre algo que nos pode ser útil neste processo de despertar de consciência relativamente ao que somos e nos move…

Depois de fazer alguma introspeção, e rever na minha cabeça muitas situações, percebi que, em síntese, podemos dizer que há dois tipos de atitude relativamente ao Amor. Umas pessoas sonham com a vida que querem ter, planeiam todas as conquistas e passos para lá chegar. Depois, pensam na pessoa e na relação que melhor se adequa a essa vida e começam a procurar. Outras, de forma bem diferente, vão vivendo a vida e quando esta lhes apresenta aquela pessoa especial, elas escolhem Amar e adequar as suas vidas a esse Amor. Estas duas posições, com pontos de partida tão diferentes, determinam também relações, e não raras vezes finais, igualmente diferentes.

Na verdade, este exercício tão simples que fiz, acabou por se revelar extremamente profícuo. Percebi que muitas vezes excluímos ‘potenciais candidatos’ ou ‘candidatas’, simplesmente porque não se adequam à vida que temos ou sonhamos para nós. Porque não nos iam permitir viver na casa que compramos, ter o emprego que sonhamos, ir aos locais do costume… Estar com as pessoas de sempre…

No entanto, talvez fosse essa a pessoa que nos permitiria sair da nossa zona de conforto, descobrir mais potencial em nós, treinar competências, trabalhar medos, preconceitos e crenças limitadoras. Quiçá fosse essa mesma pessoa a que nos mostraria uma forma diferente de amar e nos fizesse sentir o estado de plenitude numa relação. Quiçá essa fosse a tal…

Mas ainda poderá haver mais a dizer sobre esta questão de adequar o Amor, o parceiro e a relação, à vida que sonhamos e achamos que queremos ter.

Nós habitualmente achamos que sabemos o que queremos e o que é melhor para nós. Ora, a vida está em constante evolução, e o mundo também… Tudo aquilo que conhecemos é passado, são histórias de outros tempos, modelos de outrora, que devemos perceber se hoje se adequam a nós e nos permitem ter uma vida feliz.

Por isso mesmo, acredito que nem sempre sabemos o que é melhor para nós. Nós sonhamos com algo que conhecemos, e assim só poderemos escolher algo que já existe, algo que conhecemos do passado. Percebo agora por que razão há tantos desencontros, tanta insatisfação nas relações e muita falta de fé no Amor.

Eu acredito convictamente que a vida sabe o que faz. Acredito que todos somos especiais e merecemos alguém ao nosso lado que nos faça sentir isso. Merecemos igualmente poder demonstrar o nosso Amor a alguém e fazê-lo sentir o quão especial é para nós. Tudo isto nos torna vulneráveis…

Para Amar intensamente é necessária muita coragem para assumir a nossa vulnerabilidade. Não há como criar defesas para o Amor, pois é preciso senti-lo. Com capas, jogos e estratégias nunca poderá haver conexão entre dois seres humanos. É preciso despir e expor a alma para que a nossa Alma Gémea nos reconheça…

Sejamos corajosos, assumamo-nos tal como somos e apresentemos ao mundo esta nossa melhor versão… que é sempre a mais bonita e autêntica. É que o Amor não tem zona de conforto, para o sentir temos que nos aventurar…

 

(Esta artigo foi publicado na 238ª Edição da Revista SIM, em Julho de 2019.)

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