Ginásio de Emoções

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Ginásio de Emoções

Recentemente criei uma Academia de Fitness Emocional. Numa das instituições com a qual já estamos a trabalhar houve uma atividade em particular que me surpreendeu…

No Colégio Luso Internacional de Braga, os alunos que participam diretamente no Programa de Certificação em Boas Práticas Emocionais do Colégio, decidiram fazer um ‘Ginásio de Emoções’. O objetivo é que, através de um circuito, os participantes possam experienciar os 13 Passos do Manual de Fitness Emocional (criado pela Academia) e, com isso, perceber como é possível fazer uma melhor gestão das suas emoções.

Neste processo criativo acabei por me encontrar com esses alunos para responder a questões que eventualmente tivessem. E foi este encontro que me surpreendeu…

Fui encontrar-me com crianças de 10 a 12 anos acreditando que, a correr bem, me fariam meia dúzia de perguntas e falaríamos no máximo meia hora. Enganei-me redondamente!

Depois das devidas introduções e apresentações, não foi necessário “período de quebra-gelo”. De imediato as questões começaram a surgir da boca daqueles primeiros corajosos a levantar o braço. Depois foi uma surpreendente avalanche de perguntas, de braços levantados, de rostos a pedir respostas…

Saí de lá com o coração cheio… mas também, e em simultâneo, apertado… A minha vontade era responder a todos.

Todavia, para o fazer precisaria de… dias! Prometi-lhes então que, se me escrevessem as perguntas, lhes gravaria as respostas em vídeo e lhas enviaria. Já comecei a fazê-lo – e nenhuma ficará sem responder.

Este episódio instalou em mim um desassossego. Sinto que, apesar de tudo o que já estou a fazer, posso fazer mais. Acima de tudo, ainda posso fazer mais por jovens como estes que estão sedentos de respostas, e que não as encontram em lado algum nem em ninguém.

E por que razão é tão urgente e importante para mim esta questão? Por que razão sinto que esta problemática das emoções nos jovens merece toda a nossa atenção?

A resposta é simples: Nunca conheci uma pessoa feliz sem saúde emocional. Não é possível ter uma vida feliz sem conhecer e cuidar da saúde das nossas emoções.

Neste Terceiro Milénio, onde já não assistimos a dramas como aqueles que se viveram no século XX (Guerras Mundiais, Holocausto, períodos de fome duradouros, entre muitos outros…) a hierarquia das nossas necessidades está a mudar.

Hoje as pessoas preocupam-se com a Felicidade e a Satisfação na Vida mais do que com a possibilidade de passar fome ou de verem as suas vidas em perigo numa guerra. Se acrescentarmos a isso o aumento da esperança média de vida, que já se aproxima muito dos 90 anos, vemos que a hierarquia das necessidades humanas não é mais a mesma.

Hoje precisamos de saber que a nossa vida faz sentido, que a vivemos com satisfação e que há um propósito na nossa existência.

Hoje queremos sentir-nos amados e amar, criar conexões com as pessoas, ter família, amigos, um sentimento de pertença a algo maior. Queremos sentir prazer no dia-a-dia e não apenas almejá-la sentir um dia, nas férias ou quando nos reformarmos.

Estas crianças, com todas as suas perguntas e sede de respostas mostraram-me algo: Nós adultos não estamos a fazer um bom trabalho. Há muito mais a ser feito!

A iliteracia emocional em que muitos adultos vivem, isola-os das suas emoções, e de qualquer possibilidade de conexão com outro ser humano. Não perceber o que as nossas emoções nos dizem, não entender o nosso estado emocional, é fruto de um diálogo inexistente sobre emoções, é fruto de uma grande ignorância sobre esta temática.

Mas o mais grave é que a maioria desconhece que esta falta de conhecimento pode dar origem a um distúrbio chamado Alexitimia, que é a incapacidade para reconhecer e verbalizar as emoções, sentimentos e sensações corporais.

Podemos dizer que as pessoas com Alexitimia são “mudas” em termos emocionais. Uma das formas de evitar ou reverter essa mudez, é justamente dar a conhecer palavras e definições, para que possuam os conceitos e, com isso, possam verbalizar o que desconhecem ou lhes é (ainda) inconsciente. O mais trágico nesta condição é que para além de “mudas” se tornam “surdas”, pois também não conseguem ouvir e entender as emoções dos outros.

Como é que alguém que não conhece as suas emoções, que não sabe falar sobre elas, pode educar uma criança feliz?

A própria vida é um “ginásio de emoções”, é nela que as coisas se sentem, é nela que nós – os Humanos – nos sentimos. As emoções são treino que a vida nos proporciona para podermos crescer, melhorar, adquirir competências que nos permitem explorar todo o nosso potencial. Não sentir nem entender o que se sente, é chumbar nos “exames da vida”, é decidir ser um “analfabeto emocional”.

Acredito que as emoções são a bitcoin da atualidade, quem não as souber gerir, não poderá sentir-se próspero ou abundante pois estará sempre em escassez emocional.

O que estas crianças me mostram foi o caminho que ainda há a percorrer. Bem-haja a todas elas pois são elas que hoje nos ensinam e mostram o que fazer!

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ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.