Aceitar, esse é o segredo…

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Aceitar, esse é o segredo…

Há uns tempos, numa conversa boa aquecida por um chá, alguém a quem hoje chamo amiga, fez-me esta pergunta: Qual é o maior segredo de uma relação? E reforçou: O maior mesmo!

Confesso que parei para pensar. Melhor dizendo: parei para organizar as ideias pois fui apanhada de surpresa com a precisão da pergunta. Ela perguntou-me “no singular” – queria “O” segredo, não “os” segredos…

Passou-me muita coisa pela cabeça pois este é um tema que me apaixona e com o qual trabalho há anos. No entanto, pouco tempo demorou para que a resposta surgisse de forma muito assertiva.

Disse: Saber aceitar, acredito que esse é O Maior Segredo de uma Relação.

Esta não seria a respostas mais óbvia e, talvez por isso, senti necessidade de me explicar. Na verdade, expliquei para que eu própria pudesse também entender por que razão o havia dito de forma tão perentória!

Acredito que para conseguirmos aceitar plenamente alguém temos que já ter percorrido um longo caminho no nosso desenvolvimento pessoal. Para aceitarmos outra pessoa tal como é, precisamos primeiro de nos aceitarmos a nós tal como somos. Quando não fazemos este trabalho tão pessoal e individual em direção a nós, dificilmente o conseguiremos fazer em direção ao outro.

Na verdade, a dificuldade na aceitação prende-se com o auto-conhecimento. Se eu não me conhecer não saberei como sou, o autoconhecimento torna-se fundamental para o bem-estar de qualquer relação. Se eu não me vejo com autenticidade, como poderei ver o outro e aceitá-lo tal como é?

Este tema da não-aceitação revela-se de forma clara na nossa linguagem. Quando temos dificuldades com esta questão, habitualmente falamos dos outros como se fossem “coisas” e em tom de queixa. Falamos deles, apontando as suas características, como se fossem amovíveis e pudessem ser trocadas a pedido (nosso) ou por vontade (deles). Sempre que algo acontece, que nos desagrada ou magoa, dizemos que “eles são…” como que exigindo que o deixem de ser para que os nossos males desapareçam.

É como se os outros – sendo o que são – fossem profundamente ofensivos, pois não entendem os danos que nos causam. O nosso motivo de queixa prende-se com a sua falta de vontade para mudarem e deixarem de ser o que são, simplesmente porque nós assim desejamos. Isso revela-se em frases como:

– Não estendo por que razão és tão lento. Sabes que eu não gosto que faças as coisas devagar!

– Se chegas tarde a casa é porque és desorganizado, e tu sabes que eu quero de comer cedo!

– Tu sabes que eu gosto das coisas à minha maneira, não entendo por que tens que ser assim tão teimosa e fazer tudo como tu queres!

O que aqui vemos nestes exemplos tão explícitos é que a não-aceitação revela uma profunda frustração, não com aquilo que o outro é mas sim com as expectativas que temos para com a vida. O outro passa então a ser a manifestação daquilo que não está bem nas nossas vidas e, como nós não queremos mudar, exigimos que ele o faça.

 

Penso que até aqui fui clara e o tema ficou exposto. Agora falta perceber por que razão escolhi eu este tema para último artigo de 2019 (na Revista SIM) e último esta década.

Eu acredito no poder do entendimento como forma de construção de um mundo melhor. Acredito em relacionamentos saudáveis e seres humanos felizes. Sei também que a solidão e isolamento em que vivemos nos afasta de tudo isto…

 

Seria ótimo começarmos um Novo Ano, uma Nova Década, com uma atitude diferente relativamente a todos aqueles que nos rodeiam e connosco se cruzam.

É importante recordar que o caminho até nós passa sempre pelo outro!

Nesta época de Natal, em que a empatia e compaixão estão mais presentes, tentemos fazer um exercício que nos ajudará a Aceitar melhor o outro. Imaginemos que os outros são prendas! Sim, isso mesmo!

Os outros são prendas que a vida nos deu.

No entanto, estas prendas não têm talão de devolução, por isso não os podemos trocar por um tamanho maior ou cor diferente. Aceitemos que não podemos dizer que não era bem isso que queríamos, ou que não é algo que nos dê jeito no momento. Aceitemos também que não podemos dizer que não nos ficam bem, que não são bonitos ou que não são o nosso estilo. Aceitemos apenas que são como são e que os temos na nossa vida.

Depois de aceitar, e uma vez que não podemos alterar, trocar ou mudar o que quer que seja no outro, façamos este exercício. O ideal é responder por escrito para que depois possamos ler as vezes que quisermos. Pense numa pessoa, pegue então num papel e escreva:

– 3 características que nela admiremos;

– 3 coisas que melhoraram em nós depois de conhecermos essa pessoa;

(… e por último, pensar em)

– 3 coisas extraordinárias que podem acontecer na nossa vida se aceitarmos essa pessoa tal como é.

 

Depois de fazerem este exercício verão que é mais fácil aceitar o outro tal como é. Aliás, até ficamos gratos por serem como são!

Desejo que esta nova década, que em breve começa, nos traga mais Aceitação para assim podermos ter relacionamentos mais autênticos e saudáveis.

 

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ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.