Mudar…

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Mudar…

Cada vez que iniciamos um Novo Ano fazemo-lo com uma série de desejos em mente. O cumprimento desses desejos, que tão bem formulamos e verbalizamos, exige habitualmente de nós alguma mudança ou transformação. Não raras vezes, esses desejos ficam por cumprir por nos parecer difícil implementar essas mudanças em nós e na nossa vida…

Há mudanças e transformações mais exigentes do que outras. Há umas que requerem apenas pequenos ajustes na vida quotidiana e outras há que nos obrigam mesmo a mudar de vida.

Seja como for, penso que nesta altura já todos sabemos que de nada adianta tentar permanecer no conforto familiar dos velhos padrões porque, na verdade, é ilusório e enganador. O que nos leva a resistir à mudança e a adiá-la são velhos hábitos incrustados em nós tal como o medo, a comparação, a competição, entre outros. A mudança é imperativa, as transformações são necessárias e o progresso só se alcançam quando se avança.

Devemos imaginar esta necessidade de mudança e transformação como um mero processo de adaptação a novas realidades, as quais emergem e surgem como fruto da evolução a que a vida humana está sujeita. Nunca o mundo foi estático, nunca a vida na Terra deixou de evoluir e nunca a existência humana deixou de progredir. Esta é uma verdade inquestionável!

Ora, sabendo disso, como podemos nós aceitar este mecanismo de mudança e esta exigência de transformação que nos dias atuais tanto se faz sentir?

Acredito que são dois os motivos principais que nos levam a temer tanto a mudança e a apresentar tanta resistência. O primeiro é o medo, o segundo a falta de (auto)conhecimento. Na verdade estes dois fatores são sinérgicos e alimentam-se mutuamente. A falta de conhecimento, sobre mim e sobre a vida, gera-me inseguranças e medos. Da mesma forma que o medo que tenho me faz não ver (nem procurar!) informação que poderia gerar conhecimentos para dissolver esses medos.

No entanto, esta característica intrincada que possuem também apresenta um lado muito positivo: à medida que aumentamos o nosso conhecimento, o medo tende a desaparecer e, quando começamos a viver sem medos, passamos a ter muito mais conhecimentos sobre a vida. A sinergia existe sempre entre estas variáveis, no lado mais positivo e no negativo também…

Então, o que podemos fazer nós para trabalhar esta relação entre o medo e o nosso (auto)conhecimento e, assim, deixar de temer as mudanças? 

Sabendo que o medo e a falta de conhecimento nos impedem de abraçar a mudança como parte integrante da existência humana, podemos decidir trabalhar a aceitação e preparação da mudança. Como podemos fazê-lo?

A minha sugestão é a de começarmos por realizar duas perguntas. Cada vez que o desejo de mudança se faz sentir em nós, podemos questionar:

Em primeiro lugar –Por que razão quero eu mudar?”. Aqui devemos perceber qual é a nossa motivação para a mudança ou transformação que queremos que ocorra. Qual é o ponto de partida, sentir o lugar onde estamos e por que motivo queremos deixar de estar aí. Perceber se o nosso ponto de partida reside numa situação de escassez (habitualmente, sim…) e perceber como isso nos condiciona na concretização do nosso desejo. O (auto)conhecimento aumenta quando percebemos a verdadeira intenção que nos move!

A segunda pergunta, sabendo sempre que há um medo associado, será – Que desejo se esconde atrás deste medo?”. Todo o medo esconde um desejo, e o importante aqui é dissecar o medo até chegar ao desejo que se esconde nele. O medo da relação esconde muitas vezes o desejo intenso de conexão; o medo de perder esconde a vontade de ter; o medo de falar esconde a vontade de se fazer ouvir e comunicar… Todo o medo esconde um desejo, importa saber qual!

Creio que com estas duas perguntas poderemos fazer um bom início de ano motivados para a mudança. Não esqueçamos que mudar é crescer, caminhar pela vida, vivendo-a e aceitando-a na expressão máxima daquele que é o seu potencial. Mudar é viver, é sentir que a vida nos chama e nós aparecemos ‘na parada’. É aceitar as cartas que nos são dadas e, com a coragem e fé, ‘ir sempre a jogo’.

Há uma frase de Alvin Toffler que carrego como lema: “A mudança é o processo pelo qual o futuro invade as nossas vidas” e eu acrescento: Tornando-se assim o nosso presente!

Que 2020 nos traga muitas mudanças e que as saibamos acolher da melhor forma!

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ESCRITO POR:

geral@palavrascomsaude.com

Acredito que cada pessoa que aprende a comunicar de forma saudável com ela própria trilha um caminho de autoconhecimento que a conduz à sua melhor versão.